Quando um corvo te olha pela Janela

Dian ganhou um crucifixo hoje quando foi na missa pela primeira vez e jurou por Deus que não mataria mais, virou cristão e até deixou de comer carne, mas Gruno, furioso por aquele inverno destruir toda sua colheita, chegou em casa bêbado e queria a qualquer custo fazer uma oferta à Odin para que lhe poupasse do sofrimento da fome e do frio.

Gruno abriu a porta com um chute que fez tremer toda paliçada da casa, desembainhou a espada sedenta por sangue e cuspiu no chão pra afastar o mal. Dian com medo do pai, deitou-se ao lado da irmã mais nova e apagou a vela para Gruno não lembrar da existência deles pelo menos naquela noite, e rezou, rezou para que todo isso fosse só sono por conta dos hidroméis a mais na taberna, mas não.

Gruno tonto tropeçou na lenha no meio da sala e foi direto pro quarto, queria descontar a raiva na sua mulher, Ceiki, esposa de Gruno acordou assustada e mal pode resistir, Gruno a pôs de costas, levantou a saia dela e começou a empurrar todo seu ódio para o ventre de Ceiki que desesperada gritava enquanto sua cama feita de palhas e madeiras quase arriava com o vai e vem do ódio de Gruno e ela até tentou pedir ajuda, foi quando Gruno ergueu a espada e iria atravessar todas suas costelas com a sua espada mas ao ouvir os porcos grunhindo do lado de fora da casa achou que havia alguém os observando, parou por um instante e o silêncio o fez notar o choro abafado de sua filha mais nova, lembrou-se de um batismo cristão que fora forçado a presenciar, no batismo a criança chorava do mesmo jeito e recordou de toda desgraça que o cristianismo vinha pestiando o reino e jurou pra si mesmo que mataria todo cristão que encontrasse.

Beijou a lamina de sua espada e de súbito correu com o pau pra fora das calças para a cama de sua filha mais nova num ódio cego e sepulcral.

– Por Odin!

E atravessou a espada na cama de sua filha.

Mas o choro dela não parou

Foi quando Gruno levantou o cobertor de pele de lobo e descobriu que havia acabado de matar Dian, seu único filho, herdeiro e sucessor.

Gruno estatelado por alguns instantes ergueu a cabeça aos céus tentando entender tudo aquilo e percebeu um corvo na janela que olhava fixamente para ele, foi quando compreendeu o porque dos porcos fazendo barulho, talvez fosse um presságio.

Se arrependeu

Voltou para a sala, reorganizou toda lenha para queimar o corpo do seu único filho e fez uma prece para que as Valkirias viessem buscar a alma de Dian à Valhalla, enquanto isso, Ceiki abraçada ao corpo de Dian chorava aos prantos.

E nós aqui, assistimos todo esse pietá em plongée até hoje

Um dia comum

E a história se repete…

 

[Paulo Vinícius Lordhóric]

08/12/2016

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